domingo, 12 de julho de 2009

Oração a mim mesmo


"Que eu me permita olhar e escutar e sonhar mais. Falar menos. Chorar menos. Ver nos olhos de quem me vê a admiração que eles me têm e não a inveja que prepotentemente penso que têm. Escutar com meus ouvidos atentos e minha boca estática, as palavras que se fazem gestos e os gestos que se fazem palavras. Permitir sempre escutar aquilo que eu não tenho me permitido escutar. Saber realizar os sonhos que nascem em mim e por mim e comigo morrem por eu não os saber sonhos. Então, que eu possa viver os sonhos possíveis e os impossíveis; aqueles que morrem e ressuscitam a cada novo fruto, a cada nova flor, a cada novo calor, a cada nova geada, a cada novo dia. Que eu possa sonhar o ar, sonhar o mar, sonhar o amar, sonhar o amalgamar. Que eu me permita o silêncio das formas, dos movimentos, do impossível, da imensidão de toda profundeza. Que eu possa substituir minhas palavras pelo toque, pelo sentir, pelo compreender, pelo segredo das coisas mais raras, pela oração mental (aquela que a alma cria e que só ela, alma, ouve e só ela, alma, responde). Que eu saiba dimensionar o calor, experimentar a forma, vislumbrar as curvas, desenhar as retas, e aprender o sabor da exuberância que se mostra nas pequenas manifestações da vida. Que eu saiba reproduzir na alma a imagem que entra pelos meus olhos fazendo-me parte suprema da natureza, criando-me e recriando-me a cada instante. Que eu possa chorar menos de tristeza e mais de contentamentos. Que meu choro não seja em vão, que em vão não sejam minhas dúvidas. Que eu saiba perder meus caminhos mas saiba recuperar meus destinos com dignidade. Que eu não tenha medo de nada, principalmente de mim mesmo: - Que eu não tenha medo de meus medos! Que eu adormeça toda vez que for derramar lágrimas inúteis, e desperte com o coração cheio de esperanças. Que eu faça de mim um homem sereno dentro de minha própria turbulência, sábio dentro de meus limites pequenos e inexatos, humilde diante de minhas grandezas tolas e ingênuas (que eu me mostre o quanto são pequenas minhas grandezas e o quanto é valiosa minha pequenez). Que eu me permita ser mãe, ser pai, e, se for preciso, ser órfão. Permita-me eu ensinar o pouco que sei e aprender o muito que não sei, traduzir o que os mestres ensinaram e compreender a alegria com que os simples traduzem suas experiências; respeitar incondicionalmente o ser; o ser por si só, por mais nada que possa ter além de sua essência, auxiliar a solidão de quem chegou, render-me ao motivo de quem partiu e aceitar a saudade de quem ficou. Que eu possa amar e ser amado. Que eu possa amar mesmo sem ser amado, fazer gentilezas quando recebo carinhos; fazer carinhos mesmo quando não recebo gentilezas. Que eu jamais fique só, mesmo quando eu me queira só."

(Oswaldo Antônio Begiato)

quarta-feira, 8 de julho de 2009


Se não é a melhor homenagem, é, no mínimo, a mais original!

domingo, 5 de julho de 2009

The Corrs - Only When I Sleep

"Você é apenas um barco dos sonhos
Navegando em minha mente
Você nada em meus oceanos secretos
De corais azuis e vermelhos

Seu cheiro é de incenso queimando
Seu toque ainda é sedoso
Isso alcança toda minha pele
Movendo-se de dentro
Agarra-se em meus seios

Mas é somente quando eu durmo
Vejo você em meus sonhos
Me rondando em círculos
Me virando de cabeça pra baixo

Mas eu apenas ouço você respirar
Em algum lugar do meu sono
Me rondando em círculos
Me virando de cabeça pra baixo
(apenas quando eu durmo)

E quando eu acordo do sono
Sua sombra desaparecem
Sua respiração é só a névoa do mar
Envolvendo meu corpo

Estou trabalhando durante o dia
Mas quando é hora de descansar
Estou deitada em minha cama
Ouvindo a minha respiração
Caindo do precipício

Mas é somente quando eu durmo
Vejo você em meus sonhos
Me rondando em círculos
Me virando de cabeça pra baixo"

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Era Uma Vez A Princesa Que Tentava...


Em um Reino não muito distante, nem de mim, nem de você, vivia Princesa Que Tentava.
Ela não era muito feliz, mas tentava.
Ela não era muito bonita, mas tentava.
Ela não tinha a vida dos Contos de Fadas, mas... ela tentava.
Tentava emagrecer.
Tentava encontrar.
Tentava acreditar.
Tentava crescer.
Tentava amadurecer.
Tentava melhorar.
Tentava entender.
Tentava compreender
Tentava amar.
Tentava ajudar.
Tentava estudar.
Tentava trabalhar.
Tentava...
Às vezes, de tanto tentar, ela se cansava. E se decepcionava também. Mas apesar de tudo, ela era uma Princesa Alegre. Tinha bons amigos com os quais ela sempre poderia contar. Família que a apoiava. E um sorriso sincero no rosto. Mas ela era uma Princesa Alegre e não Feliz. Ela conhecia muito bem a diferença entre esses dois sentimentos e por isso que ela sempre tentava.
Tentava encontrar a Felicidade, apesar de saber que felicidade é a soma de uma série de pequenas coisas, que não se "fica" feliz da noite pra o dia e nem o tempo inteiro.
Tentava encontrar seu Príncipe, apesar de saber que Príncipes Encantados não existem e que a sua Felicidade não está condicionada ao amor de um homem e que amar e ser amada mais parece uma Utopia do que um Conto de Fadas.
Em alguns momentos, ela se achava até meio boba por não desistir. Tentativa e erro, tentativa e erro... Mas é incrível o quanto ela é Otimista! Sempre que ela está muito cansada de tentar, algo a motiva a tentar de novo! Mas nem sempre ela tenta o Novo, talvez seja isso que a impeça de ter o seu Felizes Para Sempre... Quando nada de Novo acontece, ela acaba ficando um pouco mais triste. E ela mesma sabe, que a tristeza não atrai nada de bom. Por isso ela levanta a cabeça e, mesmo que não seja o Novo, ela tenta de novo! Até que o Novo venha, ela possa parar de tentar, porque enfim, encontrou a Felicidade!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

"Se diferente eu fosse será que eu teria sido amado por você?"

Eu ainda caio na besteira de tentar achar uma explicação, um motivo, um culpado, ou seja lá o que for, que faça com que eu me conforme que as coisas caminhem assim. Mas não há explicação que me baste, motivo que justifique e nem culpado que se condene... não há luz no fim desse túnel. Às vezes meu coração fica tão apertado, me dá um nó na garganta e só o meu travesseiro é quem sabe das minhas noites mal dormidas, porque se tem uma coisa que me tira o sono é essa impotência frente a algo que vai além do que me compete. Porque na verdade, o que eu preciso admitir é isso: tem coisas que eu não posso evitar, ou melhor, fazer acontecer! Hoje (como sempre) a conversa lá no trabalho foi sobre Sexo X Relacionamento: gente que não gosta de sexo, homens que qualquer rapidinha tá bom, gente que tá ha tanto tempo sem sexo que já tá pirando... enfim! Sexo e Relacionamentos! E aí chegamos na grande questão:
Sexo no 1º encontro acaba com qualquer chance de um relacionamento?!
Olhando o meu histórico (ai meu Deus! vou ser bem sincera agora, inclusive comigo mesma) eu tô começando a acreditar que sim! Por mais que em alguns casos que não tenha ficado só no 1º encontro, nenhum desses casos virou namoro! Só que as vezes eu me recuso a admitir que os homens sejam tão preconceituosos assim e que a culpa de tudo fui simplesmente eu ter isso pra cama com a ele na 1ª noite!? Bem... "idade da pedra à parte"... no fim das contas, 100% dos homens presentes no "debate" admitiram que sim: mulher pra namorar e mulher pra transar ainda é um conceito! Absurdo aos meus ouvidos, mas eles fazem sim esse tipo de classificação!
Pois bem mocinhas, fechem as pernas e joguem um balde de água fria na sua libido! Eles podem... a gente não ! É assim que funciona! Ou então, ano que vem, estarei eu lá de novo na Igreja de Santo Antônio fazendo promessa... porque se for assim, só apelando mesmo!

quarta-feira, 1 de julho de 2009



o meio que me cerca não me modifica.
eu me camuflo, camaleoa que sou, mas não perco minha essência.

o meio que me cerca não me corrompe.
eu me dispo, despudorada que sou, mas não perco meu caráter.

o meio que me cerca não me fere.
eu choro, frágil que sou, mas não perco minha força.

o meio que me cerca não me comove.
eu avalio, crítica que sou, mas não perco minha frieza.

o meio que me cerca não me mostra.
o me desmascaro, verdadeira que sou, mas não perco o mistério.

o meio que me cerca não me seduz.
eu me deixo levar, sonhadora que sou, mas não perco meu chão.

o meio que me cerca não me deprime.
eu me isolo, individualista que sou, mas não perco a alegria de viver.

o meio que me cerca não me agride.
eu mostro a face, corajosa que sou, mas não perco minha suavidade.

o meio que me cerca não me ama.
eu me apaixono, tola que sou, mas não perco minha solidão.

o meio que me cerca não me odeia.
eu me enfureço, humana que sou, mas não perco minha fé.